Mulher sorrindo emocionada, olhando para baixo

Sentir demais não é fraqueza

A apresentação de fim de ano da escola do seu filho mal começou e você já está com os olhos cheios de lágrimas. Ele está lá no palco, meio perdido, fantasiado de árvore, procurando você na plateia. Quando os olhos dele encontram os seus, você não segura. Ao lado, alguém da família dá uma risadinha e comenta: “de novo? você chora por tudo”. Você ri junto, disfarça, limpa o rosto rápido. Mas por dentro fica aquela sensação conhecida de ser exagerada, de sentir mais do que deveria.

Eu quero voltar com você a essa plateia, porque aquele comentário carrega uma ideia que muitas mulheres ouvem a vida inteira.

O que dizem sobre quem sente muito

Quem sente com intensidade costuma ouvir as mesmas frases desde cedo. “Não precisa ficar assim.” “Você leva tudo para o lado pessoal.” “Engole esse choro.” “Que drama.” Aos poucos, a criança sensível aprende que o jeito dela de sentir incomoda os outros. E, para ser aceita, começa a esconder.

Na vida adulta, esse aprendizado vira um esforço constante. Você segura o choro no trabalho, finge que não se magoou com o comentário da amiga, sorri na reunião de família mesmo quando algo te atingiu em cheio. E depois, sozinha no carro ou no banho, desaba, sentindo vergonha de si mesma por ser assim.

O problema dessa história toda é que ela parte de uma premissa errada: a de que sentir muito é um defeito a ser corrigido. É essa premissa que eu quero desmontar com você.

Sensibilidade é um jeito de perceber o mundo

Pense em tudo o que você percebeu naquela apresentação. Você viu o nervosismo do seu filho antes de ele subir ao palco, notou quando ele procurou seu rosto, sentiu o alívio dele ao te encontrar. Viu também, provavelmente, a professora ansiosa na coxia e a criança do canto que não tinha ninguém assistindo. Uma pessoa menos sensível talvez tivesse visto só uma fila de crianças fantasiadas.

A sensibilidade é essa capacidade de captar detalhes, de ler o que não foi dito, de se afetar pelo que acontece com o outro. É por causa dela que você sabe quando uma amiga não está bem mesmo que ela diga que está tudo certo. É por causa dela que você se emociona com uma música, com um filme, com um gesto pequeno de carinho. Isso é uma forma de inteligência, uma maneira de estar no mundo com mais profundidade.

Chorar na apresentação da escola, então, não mostra fraqueza. Mostra que você estava inteira ali, presente, tocada por algo que importa. Muita gente passa pela vida sem conseguir sentir assim.

Quando sentir demais cansa

Isso não quer dizer que a sensibilidade seja sempre leve. Quem sente muito também se esgota com mais facilidade. Um ambiente barulhento, uma discussão entre outras pessoas, uma notícia triste no jornal podem ocupar o seu dia inteiro. Muitas mulheres sensíveis absorvem o humor de quem está por perto e, quando percebem, estão carregando emoções que nem eram delas.

O caminho aqui não é endurecer. Tentar parar de sentir costuma produzir o efeito contrário, porque a emoção reprimida encontra outras saídas, seja no corpo, na irritação ou no cansaço. O caminho é aprender a cuidar dessa sensibilidade, reconhecendo seus limites e respeitando os momentos em que você precisa de silêncio, de pausa, de distância.

Na terapia, esse cuidado começa pela escuta: aprender a notar quando você está sentindo algo que é seu e quando está absorvendo algo que é do outro. Falando sobre isso, você vai entendendo a história por trás da vergonha de sentir, quem te ensinou que suas emoções eram exageradas e por quê. A mudança vem aos poucos, quando você começa a proteger sua sensibilidade em vez de escondê-la, escolhendo ambientes, pessoas e ritmos que combinam mais com quem você é.

Então, da próxima vez que alguém disser que você chora por tudo, talvez você não precise rir junto nem pedir desculpas. Pode simplesmente deixar as lágrimas descerem enquanto seu filho, fantasiado de árvore, encontra seus olhos na plateia. Você está sentindo o que aquele momento merece.

Se você carrega há muito tempo a sensação de que sente demais e gostaria de aprender a cuidar disso de outro jeito, a terapia pode ser um lugar seguro para essa conversa. Pelo botão de agendamento aqui no site, você fala direto comigo no WhatsApp, e a gente combina como começar.

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