Mulher segurando o celular perto da janela, preocupada

O que a sua ansiedade está tentando te dizer

São três e dezessete da manhã. Você acordou de repente, com o coração acelerado, e já sabe que não vai dormir tão cedo. A cabeça começa a girar sozinha: o e-mail que você esqueceu de responder, a febre que seu filho teve semana passada, a conta que vence na quinta, aquela frase da sua chefe que você ainda não entendeu se foi crítica. Você pega o celular, olha a hora, tenta respirar fundo. A casa inteira dorme. Só você está acordada, com um aperto no peito que não tem endereço.

Quem já passou por essas madrugadas sabe como elas são solitárias. E sabe também como é fácil, no dia seguinte, tratar a ansiedade como uma inimiga que precisa ser calada a qualquer custo.

Um alarme que toca por algum motivo

Faz sentido querer que a ansiedade vá embora. Ela é desconfortável, rouba o sono, deixa o corpo em alerta. A psicanálise, porém, propõe outro jeito de olhar para ela. Freud, que estudou muito a angústia, entendia que ela funciona como um sinal: um aviso de que alguma coisa dentro de nós está pedindo atenção, mesmo que a gente ainda não saiba o quê.

Pense num alarme de incêndio. Se ele dispara, arrancar o aparelho da parede acaba com o barulho, mas não diz nada sobre o fogo. Às vezes é só a torrada que queimou. Às vezes é algo que precisa ser olhado com calma. A ansiedade é parecida. Ela raramente aponta com clareza para o que está pegando, e por isso a cabeça, às três da manhã, se agarra ao que estiver à mão: a conta, o e-mail, a febre que já passou. São os assuntos disponíveis, nem sempre os verdadeiros.

O que costuma estar por trás do aperto

Quando a gente começa a escutar a ansiedade em vez de só tentar silenciá-la, outras coisas aparecem. Muitas vezes há um incômodo que você não se permite sentir durante o dia. Uma raiva do marido que não divide as tarefas, mas que você engole porque “não vale a briga”. Uma tristeza com um trabalho que já não faz sentido. Uma vontade, às vezes bem simples, guardada há tanto tempo que você nem lembra que existe.

Durante o dia, você está ocupada demais para perceber. Tem as crianças, o trabalho, a casa, as mensagens. É de madrugada, quando tudo silencia, que essas coisas encontram uma brecha. Como não conseguem aparecer com o nome certo, aparecem como aperto no peito e pensamento acelerado.

Costuma haver também uma história mais antiga. Muitas mulheres ansiosas cresceram em casas onde era preciso estar sempre atenta: ao humor do pai, ao cansaço da mãe, ao clima no jantar. Aprenderam cedo a prever problemas antes que eles acontecessem, porque isso trazia alguma segurança. Esse estado de vigília protegeu a menina. Na mulher adulta, ele virou um alarme que não desliga.

Dar palavras ao que aperta

Na terapia, além de buscar alívio, que também importa, a gente tenta entender o que a ansiedade está dizendo. Você fala das madrugadas, dos pensamentos que giram, das situações que disparam o aperto, e vai percebendo que elas se repetem. Ele aparece sempre depois de uma conversa com a sua mãe. Ou sempre que você precisa dizer não. Ou sempre que algo bom acontece e você não acredita que merece.

Quando o que estava sem nome ganha palavras, a ansiedade costuma perder parte da força. Ela continua sendo um sinal, só que agora é um sinal que você começa a entender, como quem aprende a diferenciar a torrada queimada do fogo de verdade. Esse trabalho leva tempo e não acontece em linha reta. Com ele, as madrugadas podem ir ficando mais raras e menos assustadoras.

Um cuidado importante: se a ansiedade vem com crises fortes, falta de ar, ou atrapalha muito o seu dia a dia, procure também um médico. Cuidar do corpo faz parte do cuidado com as emoções.

Pense de novo naquela madrugada. Três e dezessete, o coração acelerado, a casa dormindo. Imagine que, em vez de brigar com a ansiedade, você pergunte a ela, com alguma curiosidade: o que você quer me mostrar? Talvez a resposta não venha naquela noite. Mas a pergunta já muda o jeito como você atravessa o escuro.

Se você quer entender o que a sua ansiedade está tentando dizer, a terapia pode ser um bom lugar para essa conversa. É só clicar no botão de agendamento logo abaixo: ele abre uma conversa comigo no WhatsApp, e a gente combina a sua primeira sessão.

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